quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A brincar... também se aprende?


Esta é sem dúvida uma questão que considero pertinente abordar pois ainda há, para alguns pais, alguma desconfiança quando nos referimos à brincadeira como um  momento de aprendizagem. Considero que este é um momento fundamental no jardim de infância e obviamente num contexto de creche onde os bebés começam a descobrir o meio que as rodeia. É nesta fase que o bebé adquire conhecimentos acerca do seu corpo, acerca das consequências dos seus movimentos, desenvolve a linguagem e a motricidade global, entre tantas outras aprendizagens de extrema importância para o seu desenvolvimento. E como refere a psicóloga Margarida Fornelos (in Cadernos de Educação de Infância nº8) “ninguém hoje põe em dúvida a importância do jogo no desenvolvimento afectivo e intelectual da criança”. Qualquer actividade que desperte a atenção do bebé e o faça feliz, ainda que por pouco tempo, desencadeia no cérebro um processo que lhe estimulará a inteligência.
O bebé é, antes de tudo, um ser feito para brincar, pois é através da brincadeira que ele se apropria da sua realidade, expressando os seus sentimentos, medos, desejos e fantasias. Cria o seu próprio mundo, e nele faz as suas descobertas, enfrenta obstáculos que as fazem pensar em como e o que fazer, superando-os e partindo para novas descobertas. Assim, as brincadeiras são formas mais originais que a criança pequena tem de se relacionar e de se apropriar do mundo. É brincando que ela se relaciona com as pessoas e objectos ao seu redor, aprendendo com as experiências. O brinquedo é, então, o elo de ligação entre a criança e o mundo. Através dele a criança comunica as suas emoções, pensamentos e conflitos. Os brinquedos devem ser usados para brincar, para a criança manipular e explorar e não para serem meros objectos decorativos e inacessíveis. Considero, assim, fundamental que na creche ou jardim de infância, tal como em casa os brinquedos estejam disponíveis para que a criança os possa procurar quando desejar. Com o brinquedo a criança aprende, imagina, cria, comunica, ou seja, possibilita novas formas de ser e de estar. Froebel defende que a criança aprende e se desenvolve pela auto-actividade, ou seja pela livre exploração dos materiais e brinquedos.
Através das brincadeiras a criança terá a oportunidade de expressar as suas necessidades, interesses e limitações pois, tal como refere Bettelheim (1989) “a fantasia é modificada, à medida que as limitações se tornam visíveis no desenrolar da própria actividade lúdica, tornando-se assim um factor decisivo para uma adaptação satisfatória e saudável à realidade, palco para a aprendizagem”. Desta forma, reproduz as acções que absorve do meio que o circunda. À medida que cresce vai incorporando a representação que faz da vida real, os conhecimentos adquiridos, bem como os desejos e sentimentos. Nesse sentido, deve proporcionar-se à criança momentos que lhe cativem a atenção e motivem a exploração e descoberta porque elas gostam de explorar as diferentes potencialidades dos objectos mesmo que não os utilizem para a função/finalidade para que foram criados. É importante que possam perceber e sentir as propriedades dos diferentes materiais: as formas, as texturas, os tamanhos e as diferentes funções que podem ter. Brincando, a criança aumenta a sua independência, estimula a sua sensibilidade visual e auditiva, valoriza a sua cultura popular, desenvolve habilidades motoras, exercita a imaginação, criatividade, socializa-se, interage e, assim, constrói seus conhecimentos.
Na minha opinião, o papel do educador será o de proporcionar-lhes novas oportunidades e novos materiais que enriqueçam as suas brincadeiras. No entanto, é igualmente importante que seja respeitada a vontade e a motivação da criança de forma a não forçá-la a realizar uma brincadeira que não lhe desperte a atenção. Pontes e Magalhães (2003) referem que “é imprescindível que os professores compreendam a importância da brincadeira e suas implicações para organizar o processo educativo de modo mais positivo, contribuindo para o desenvolvimento das crianças”. Considero que o educador deve aproveitar o momento de brincadeira das crianças para as observar e perceber como reagem mediante diferentes desafios que os próprios objectos lhes colocam. Ao observar estes momentos, o educador conseguirá detectar algumas dificuldades ou progressos de cada um, podendo apoiar ou orientar a sua brincadeira no melhor sentido, se o bebé assim o permitir. O importante, nesta fase é oferecer ao bebé estímulos que possibilitem esse desenvolvimento.
Um poema muito bonito e ilustrativo da importância do brincar é de Anita Wadley. Utilizei-o com o meu grupo e depois de explorado foi colocado na entrada da sala. Foi impresso em folhas coloridas e também com letras coloridas e com imagens ilustrativas de cada quadra. As crianças iam explicando aos pais o que significava.
Acrescento um texto publicado no blog Estimula Kids acerca do brincar e do brinquedo ideal para crianças de dois anos.


E vocês... o que pensam sobre este tema?